Vendo os comentários sobre a Carta Encíclica Caritas in Veritate de pessoas que admiro, especialmente, por seu pensamento na questão econômica ou política ou mesmo filosófica... percebo que, a maioria desses comentários são críticos e afirmam estar o Papa Bento XVI, indicando o governo global como a "solução" para os problemas do mundo.
Eu, do alto de minha pequenez, desconfio que entendi realmente errado a Encíclica.
Primeiro, o Papa Bento XVI não pretende indicar caminhos, digamos assim, políticos para o mundo... seu interesse, para mim, está muito mais em indicar os princípios pelos quais a política e a economia devam ser guiadas: subsidiariedade, solidariedade, ética e, principalmente, no caso dos católicos a Trindade Una e Santa.
Segundo, e aqui, o alvo das maiores críticas (à direita) a Encíclica, o que venho chamando do - famigerado parágrafo 67. Parece que todos vêem, nesse parágrafo, a afirmação do Papa por um governo mundial. Eu, como mau leitor que devo ser, não consigo ficar preso a esse parágrafo prefiro (e suspeito que aqui está o meu erro) ler esse trecho no contexto do capítulo em que o Papa Bento indica vários problemas com relação à solidariedade e a ajuda aos pobres no mundo e, segundo me parece, indica a possibilidade, de neste mundo globalizado, independente da vontade do Sumo Pontífice, uma Autoridade política mundial que esteja interessada na organização e direcionamento dos recursos abundantes (e que, muitas vezes, como avisa o Papa, ficam perdidos nas burocracias tão dispendiosas e ineficientes... e quiçá, corruptas) para o auxílio aos pobres.
Esse governo mundial da solidariedade, como tenho chamado, deve partir da subsidiariedade e observar que, em muitos casos, em um mesmo país realidades distintas estão unidas: países ricos com pessoas na miséria e países pobres com alguns na riqueza, muitas vezes, esse ricos (de ambos os países) estão muito mais interessados em um hedonismo egoístico e, mais uma vez, me parece, que aos olhos do Papa, se temos os olhos fitos no Cristo, esse comportamento está muito distante de um comportamento ético, até mesmo, para todo e qualquer homem de boa vontade, ou seja, se para um cristão isso é impensável, o Papa também considera isso, desumano, em qualquer sentido.
Bom, na esteira das suspeitas, ainda fico pensando que, muitas pessoas, pensam que após criticar o risco de um governo mundial em vários momentos, o Papa Bento XVI, o antigo intransigente cardeal Ratzinger que, levou pancada a vida toda de todos, para uns, por não ser tão liberal ou esquerdistas ou moderno... por outros, por ser o Rottweiler de Deus, por ser tão conservador, por ser tão "medieval" iria, agora, em que chegou ao ápice da vida de um sacerdote católico, buscar a tranquilidade das opiniões correntes e politicamente corretas?
Outra suspeita que tenho, ao ler os tantos textos críticos à Encíclica é que, ao fim e ao cabo, poucos dos críticos conhecem a Doutrina Social da Igreja, por isso, deveriam começar as considerações por ela e, quem sabe, pela Gaudes et Spes (especialmente, o capítulo V A PROMOÇÃO DA PAZ E A COMUNIDADE INTERNACIONAL), ou será que esses críticos não sabem que o Papa Bento XVI é membro da Igreja que escreveu a Doutrina Social e realizou o Concílio Vaticano II?
Tenho outras suspeitas e, espero ler a Caritas in Veritate diretamente no papel e, talvez aí, eu descubra como sou um péssimo leitor... até lá, fico com minhas suspeitas...
12 Julho 2009
11 Julho 2009
Viva São Bento!
09 Julho 2009
Dom Henrique Soares fala sobre a Encíclica Caritas in Veritate
A caridade na verdade
O Santo Padre Bento XVI acaba de escrever sua terceira encíclica. Depois da “Deus é Amor” (Deus caritas est)e da “Salvos na Esperança” (Spe Salvi), agora um documento que trata de questões ligadas à vida social: trata-se da Encíclica “A Caridade na Verdade” (Caritas in Veritate).
O Papa escreve num momento de crise econômica, social, moral e ecológica. Fundamentalmente, o que propõe Bento XVI? Uma reflexão sobre o desenvolvimento integral do homem. O tema é importantíssimo! Num mundo dominado pela ideia de progresso, de bem-estar e de tecnologia, é indispensável perguntar sobre em que consiste o verdadeiro progresso, o que realmente faz o homem ser mais humano, o que traz felicidade para a humanidade... Por ser vigária de Cristo, único Senhor da história e da criação, é preocupação da Igreja contribuir na construção de um mundo mais digno do homem trazendo alguns tópicos de meditação neste momento atual.
Eis algumas idéias básicas para compreender este Documento do Santo Padre:
(1) O desenvolvimento humano deve ser integral, isto é, deve atingir o homem todo e todo homem. É verdadeiro progresso aquilo que faz o homem mais humano. Então, um progresso digno do homem deve ser religioso, ético, econômico, social. Um progresso assim é fruto de relações justas entre as pessoas e as sociedades e de uma sincera preocupação com o bem comum.
(2) O verdadeiro progresso é aquele que decorre da caridade (isto é, do amor, que engloba e supera a simples justiça) e da verdade (quer dizer, daquela reta concepção sobre o homem, mundo, a vida). Portanto, o amor na verdade - amor verdadeiro – e a verdade no amor – verdade amorosa. Se pensarmos bem esta percepção é urgente para o nosso mundo.
(3) Em toda a sua tessitura a Carta procura articular caridade (amor), verdade, justiça e progresso. É da conjugação dessas realidades que pode nascer a solução para os grandes desafios da sociedade humana atual.
(4) A Igreja não tem competência técnica para oferecer soluções para o mundo atual e muito menos pode impor o que quer que seja; mas, valendo-se da Revelação divina e da própria razão humana iluminada pela fé em Cristo, ela pode e deve elaborar sempre uma doutrina social que interpele as consciências e indique à sociedade humana as grandes linhas éticas que balizem uma humanidade e um mundo segundo o Coração de Deus.
Sendo assim, não somente os católicos, mas todos os homens de boa vontade – sobretudo os que têm responsabilidade mais direta pela construção da sociedade – são convidados a ler este importante Documento de Bento XVI.
http://costa_hs.blog.uol.com.br/
O Santo Padre Bento XVI acaba de escrever sua terceira encíclica. Depois da “Deus é Amor” (Deus caritas est)e da “Salvos na Esperança” (Spe Salvi), agora um documento que trata de questões ligadas à vida social: trata-se da Encíclica “A Caridade na Verdade” (Caritas in Veritate).
O Papa escreve num momento de crise econômica, social, moral e ecológica. Fundamentalmente, o que propõe Bento XVI? Uma reflexão sobre o desenvolvimento integral do homem. O tema é importantíssimo! Num mundo dominado pela ideia de progresso, de bem-estar e de tecnologia, é indispensável perguntar sobre em que consiste o verdadeiro progresso, o que realmente faz o homem ser mais humano, o que traz felicidade para a humanidade... Por ser vigária de Cristo, único Senhor da história e da criação, é preocupação da Igreja contribuir na construção de um mundo mais digno do homem trazendo alguns tópicos de meditação neste momento atual.
Eis algumas idéias básicas para compreender este Documento do Santo Padre:
(1) O desenvolvimento humano deve ser integral, isto é, deve atingir o homem todo e todo homem. É verdadeiro progresso aquilo que faz o homem mais humano. Então, um progresso digno do homem deve ser religioso, ético, econômico, social. Um progresso assim é fruto de relações justas entre as pessoas e as sociedades e de uma sincera preocupação com o bem comum.
(2) O verdadeiro progresso é aquele que decorre da caridade (isto é, do amor, que engloba e supera a simples justiça) e da verdade (quer dizer, daquela reta concepção sobre o homem, mundo, a vida). Portanto, o amor na verdade - amor verdadeiro – e a verdade no amor – verdade amorosa. Se pensarmos bem esta percepção é urgente para o nosso mundo.
(3) Em toda a sua tessitura a Carta procura articular caridade (amor), verdade, justiça e progresso. É da conjugação dessas realidades que pode nascer a solução para os grandes desafios da sociedade humana atual.
(4) A Igreja não tem competência técnica para oferecer soluções para o mundo atual e muito menos pode impor o que quer que seja; mas, valendo-se da Revelação divina e da própria razão humana iluminada pela fé em Cristo, ela pode e deve elaborar sempre uma doutrina social que interpele as consciências e indique à sociedade humana as grandes linhas éticas que balizem uma humanidade e um mundo segundo o Coração de Deus.
Sendo assim, não somente os católicos, mas todos os homens de boa vontade – sobretudo os que têm responsabilidade mais direta pela construção da sociedade – são convidados a ler este importante Documento de Bento XVI.
http://costa_hs.blog.uol.com.br/
08 Julho 2009
O Papa Bento fala sobre a Encíclica Caritas in Veritate
Este texto poderia ser o prefácio da Encíclica Caritas in Veritate:
Bento XVI apresenta encíclica “Caritas in veritate”
Intervenção durante a audiência geral
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 8 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos, a seguir, a intervenção de Bento XVI durante a audiência geral desta quarta-feira, realizada na Sala Paulo VI, com peregrinos procedentes do mundo inteiro, dedicada a apresentar a encíclica que ele publicou ontem, Caritas in veritate.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Minha nova encíclica, Caritas in veritate, que foi apresentada oficialmente ontem, inspira-se, em sua visão fundamental, em uma passagem da carta de São Paulo aos Efésios, na qual o apóstolo fala sobre agir segundo a verdade na caridade: “Vivendo – acabamos de escutar – segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça” (4, 15). A caridade na verdade é, portanto, a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade. Por isso, toda a doutrina social da Igreja gira em torno do princípio caritas in veritate.
Somente com a caridade, iluminada pela razão e pela fé, é possível alcançar objetivos de desenvolvimento com um valor humano e humanizador. A caridade na verdade “é um princípio à volta do qual gira a doutrina social da Igreja, princípio que ganha forma operativa em critérios orientadores da ação moral” (n. 6). A encíclica alude imediatamente, na introdução, a dois critérios fundamentais: a justiça e o bem comum. A justiça é parte integrante desse amor “com ações e de verdade” (1 Jo 3, 18), à qual exorta o apóstolo João (cf. n.6). E “amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas (...).Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum”. Portanto, dois são os critérios operativos: a justiça e o bem comum; graças a este último, a caridade adquire uma dimensão social. A encíclica diz que todo cristão está chamado a esta caridade e acrescenta: “este é o caminho institucional (...) da caridade” (cf. n. 7).
Como outros documentos do Magistério, também esta encíclica retoma, continua e aprofunda a análise e a reflexão da Igreja sobre questões de vital interesse para a humanidade do nosso tempo. De modo especial, enlaça-se com aquilo que Paulo VI escreveu, há mais de 40 anos, na Populorum progressio, pedra angular do ensinamento social da Igreja, na qual o grande pontífice traça algumas linhas decisivas – e sempre atuais – para o desenvolvimento integral do homem e do mundo moderno. A situação mundial, como amplamente demonstra a crônica dos últimos meses, continua apresentando muitos problemas e o “escândalo” de desigualdades clamorosas, que permanecem apesar dos compromissos adotados no passado.
Por um lado, registram-se sinais de graves desequilíbrios sociais e econômicos; por outro, invocam-se de muitas lugares reformas que não podem demorar mais tempo para superar a brecha no desenvolvimento dos povos. O fenômeno da globalização pode, neste sentido, constituir uma oportunidade real, mas por isso é importante que se acometa uma profunda renovação moral e cultural e um discernimento responsável sobre as escolhas que precisam ser feitas para o bem comum. Um futuro melhor para todos é possível quando se funda na descoberta dos valores éticos fundamentais. É necessária, portanto, uma nova projeção econômica que volte a desenhar o desenvolvimento de forma global, baseando-se no fundamento ético da responsabilidade diante de Deus e diante do ser humano como criatura de Deus.
A encíclica certamente não visa a oferecer soluções técnicas para as grandes problemáticas sociais do mundo atual – não é da competência do magistério da Igreja (cf. n. 9). Esta recorda, no entanto, os grandes princípios que se revelam indispensáveis para construir o desenvolvimento humano nos próximos anos. Entre estes, em primeiro lugar, a atenção à vida do homem, considerada como centro de todo verdadeiro progresso; o respeito do direito à liberdade religiosa, sempre unido intimamente ao desenvolvimento do homem; a rejeição de uma visão prometeica do ser humano, que o considera artífice absoluto do seu próprio destino. Uma ilimitada confiança nas potencialidades da tecnologia seria finalmente ilusória. É preciso contar com homens retos, tanto na política quanto na economia, que estejam sinceramente atentos ao bem comum.
Em particular, vendo as emergências mundiais, é urgente chamar a atenção da opinião pública diante do drama da fome e da segurança alimentar, que afeta uma parte considerável da humanidade. Um drama de tais dimensões interpela nossa consciência: é necessário enfrentá-lo com decisão, eliminando as causas estruturais que o provocam e promovendo o desenvolvimento agrícola dos países mais pobres. Tenho certeza de que esta via solidária ao desenvolvimento dos países mais pobres ajudará a elaborar um projeto de solução da crise global atual.
Sem dúvida, é preciso revalorizar atentamente o papel e o poder político dos Estados, em uma época em que existem, de fato, limitações à sua soberania por causa do novo contexto econômico-comercial e financeiro internacional. E por outro lado, não deve faltar a participação dos cidadãos na política nacional e internacional, graças também a um compromisso renovado das associações dos trabalhadores chamados a instaurar novas sinergias no âmbito local e internacional. Um papel de primeiro nível desempenha, também neste campo, a mídia, para a potencialização do diálogo entre culturas e tradições diversas.
Querendo, portanto, programar um desenvolvimento não viciado pelas disfunções e distorções hoje amplamente presentes, impõe-se, por parte de todos, uma séria reflexão sobre o sentido da economia e sobre suas finalidades. Exige-o o estado de saúde ecológica do planeta; pede-o a crise cultural e moral do homem, que aparece com evidência em cada lugar do globo. A economia tem necessidade da ética para seu funcionamento correto; precisa recuperar a importante contribuição do princípio de gratidão e da “lógica do dom” na economia do mercado, em que a regra não pode ser o próprio proveito. Mas isso só é possível graças ao compromisso de todos, economistas e políticos, produtores e consumidores, e pressupõe uma formação das consciências que dê força aos critérios morais na elaboração dos projetos políticos e econômicos.
Justamente, de muitas partes se apela ao fato de que os direitos pressupõem deveres correspondentes, sem os quais os direitos correm o risco de transformar-se em livre arbítrio. É necessário – repete-se cada vez mais – um estilo diferente de vida por parte de toda a humanidade, no qual os deveres de cada um com relação ao ambiente se unam aos da pessoa considerada em si mesma e em relação com os demais. A humanidade é uma só família e o diálogo fecundo entre fé e razão não pode senão enriquecê-la, tornando mais eficaz a obra da caridade no social, constituindo, além disso, o marco apropriado para incentivar a colaboração entre crentes e não-crentes, na perspectiva compartilhada de trabalhar pela justiça e pela paz no mundo.
Como critérios-guia por esta interação fraterna, na encíclica indico os princípios de subsidiariedade e de solidariedade, em íntima conexão entre si. Sublinhei, finalmente, frente a problemáticas tão vastas e profundas do mundo de hoje, a necessidade de uma autoridade política mundial regulada pelo direito, que se atenha aos mencionados princípios de subsidiariedade e solidariedade e que esteja firmemente orientada pela realização do bem comum, no respeito às grandes tradições morais e religiosas da humanidade.
O Evangelho nos recorda que não só de pão vive o homem: não só com bens materiais se pode satisfazer a profunda sede do seu coração. O horizonte do homem é, sem dúvida, mais alto e mais vasto; por isso, todo programa de desenvolvimento deve ter presente, junto ao material, o crescimento espiritual da pessoa humana, que está dotada de alma e corpo. Este é o desenvolvimento integral, ao que constantemente se refere a doutrina social da Igreja, desenvolvimento que tem seu critério orientador na força propulsora da “caridade na verdade”.
Queridos irmãos e irmãs, oremos para que também esta encíclica possa ajudar a humanidade a sentir-se uma única família comprometida em realizar um mundo de justiça e paz. Oremos para que os crentes, que trabalham nos setores da economia e da política, advirtam quão importante é a coerência do seu testemunho evangélico no serviço que oferecem à sociedade. Particularmente, convido-vos a rezar pelos chefes de Estado e do governo do G8, que se reúnem nestes dias em L’Aquila. Que desta importante cúpula mundial brotem decisões e orientações úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, especialmente dos mais pobres. Confiamos estas intenções à maternal intercessão de Maria, Mãe da Igreja e da humanidade.
[Tradução: Aline Banchieri.
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]
http://www.zenit.org/article-22099?l=portuguese
Bento XVI apresenta encíclica “Caritas in veritate”
Intervenção durante a audiência geral
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 8 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos, a seguir, a intervenção de Bento XVI durante a audiência geral desta quarta-feira, realizada na Sala Paulo VI, com peregrinos procedentes do mundo inteiro, dedicada a apresentar a encíclica que ele publicou ontem, Caritas in veritate.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Minha nova encíclica, Caritas in veritate, que foi apresentada oficialmente ontem, inspira-se, em sua visão fundamental, em uma passagem da carta de São Paulo aos Efésios, na qual o apóstolo fala sobre agir segundo a verdade na caridade: “Vivendo – acabamos de escutar – segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça” (4, 15). A caridade na verdade é, portanto, a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade. Por isso, toda a doutrina social da Igreja gira em torno do princípio caritas in veritate.
Somente com a caridade, iluminada pela razão e pela fé, é possível alcançar objetivos de desenvolvimento com um valor humano e humanizador. A caridade na verdade “é um princípio à volta do qual gira a doutrina social da Igreja, princípio que ganha forma operativa em critérios orientadores da ação moral” (n. 6). A encíclica alude imediatamente, na introdução, a dois critérios fundamentais: a justiça e o bem comum. A justiça é parte integrante desse amor “com ações e de verdade” (1 Jo 3, 18), à qual exorta o apóstolo João (cf. n.6). E “amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas (...).Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum”. Portanto, dois são os critérios operativos: a justiça e o bem comum; graças a este último, a caridade adquire uma dimensão social. A encíclica diz que todo cristão está chamado a esta caridade e acrescenta: “este é o caminho institucional (...) da caridade” (cf. n. 7).
Como outros documentos do Magistério, também esta encíclica retoma, continua e aprofunda a análise e a reflexão da Igreja sobre questões de vital interesse para a humanidade do nosso tempo. De modo especial, enlaça-se com aquilo que Paulo VI escreveu, há mais de 40 anos, na Populorum progressio, pedra angular do ensinamento social da Igreja, na qual o grande pontífice traça algumas linhas decisivas – e sempre atuais – para o desenvolvimento integral do homem e do mundo moderno. A situação mundial, como amplamente demonstra a crônica dos últimos meses, continua apresentando muitos problemas e o “escândalo” de desigualdades clamorosas, que permanecem apesar dos compromissos adotados no passado.
Por um lado, registram-se sinais de graves desequilíbrios sociais e econômicos; por outro, invocam-se de muitas lugares reformas que não podem demorar mais tempo para superar a brecha no desenvolvimento dos povos. O fenômeno da globalização pode, neste sentido, constituir uma oportunidade real, mas por isso é importante que se acometa uma profunda renovação moral e cultural e um discernimento responsável sobre as escolhas que precisam ser feitas para o bem comum. Um futuro melhor para todos é possível quando se funda na descoberta dos valores éticos fundamentais. É necessária, portanto, uma nova projeção econômica que volte a desenhar o desenvolvimento de forma global, baseando-se no fundamento ético da responsabilidade diante de Deus e diante do ser humano como criatura de Deus.
A encíclica certamente não visa a oferecer soluções técnicas para as grandes problemáticas sociais do mundo atual – não é da competência do magistério da Igreja (cf. n. 9). Esta recorda, no entanto, os grandes princípios que se revelam indispensáveis para construir o desenvolvimento humano nos próximos anos. Entre estes, em primeiro lugar, a atenção à vida do homem, considerada como centro de todo verdadeiro progresso; o respeito do direito à liberdade religiosa, sempre unido intimamente ao desenvolvimento do homem; a rejeição de uma visão prometeica do ser humano, que o considera artífice absoluto do seu próprio destino. Uma ilimitada confiança nas potencialidades da tecnologia seria finalmente ilusória. É preciso contar com homens retos, tanto na política quanto na economia, que estejam sinceramente atentos ao bem comum.
Em particular, vendo as emergências mundiais, é urgente chamar a atenção da opinião pública diante do drama da fome e da segurança alimentar, que afeta uma parte considerável da humanidade. Um drama de tais dimensões interpela nossa consciência: é necessário enfrentá-lo com decisão, eliminando as causas estruturais que o provocam e promovendo o desenvolvimento agrícola dos países mais pobres. Tenho certeza de que esta via solidária ao desenvolvimento dos países mais pobres ajudará a elaborar um projeto de solução da crise global atual.
Sem dúvida, é preciso revalorizar atentamente o papel e o poder político dos Estados, em uma época em que existem, de fato, limitações à sua soberania por causa do novo contexto econômico-comercial e financeiro internacional. E por outro lado, não deve faltar a participação dos cidadãos na política nacional e internacional, graças também a um compromisso renovado das associações dos trabalhadores chamados a instaurar novas sinergias no âmbito local e internacional. Um papel de primeiro nível desempenha, também neste campo, a mídia, para a potencialização do diálogo entre culturas e tradições diversas.
Querendo, portanto, programar um desenvolvimento não viciado pelas disfunções e distorções hoje amplamente presentes, impõe-se, por parte de todos, uma séria reflexão sobre o sentido da economia e sobre suas finalidades. Exige-o o estado de saúde ecológica do planeta; pede-o a crise cultural e moral do homem, que aparece com evidência em cada lugar do globo. A economia tem necessidade da ética para seu funcionamento correto; precisa recuperar a importante contribuição do princípio de gratidão e da “lógica do dom” na economia do mercado, em que a regra não pode ser o próprio proveito. Mas isso só é possível graças ao compromisso de todos, economistas e políticos, produtores e consumidores, e pressupõe uma formação das consciências que dê força aos critérios morais na elaboração dos projetos políticos e econômicos.
Justamente, de muitas partes se apela ao fato de que os direitos pressupõem deveres correspondentes, sem os quais os direitos correm o risco de transformar-se em livre arbítrio. É necessário – repete-se cada vez mais – um estilo diferente de vida por parte de toda a humanidade, no qual os deveres de cada um com relação ao ambiente se unam aos da pessoa considerada em si mesma e em relação com os demais. A humanidade é uma só família e o diálogo fecundo entre fé e razão não pode senão enriquecê-la, tornando mais eficaz a obra da caridade no social, constituindo, além disso, o marco apropriado para incentivar a colaboração entre crentes e não-crentes, na perspectiva compartilhada de trabalhar pela justiça e pela paz no mundo.
Como critérios-guia por esta interação fraterna, na encíclica indico os princípios de subsidiariedade e de solidariedade, em íntima conexão entre si. Sublinhei, finalmente, frente a problemáticas tão vastas e profundas do mundo de hoje, a necessidade de uma autoridade política mundial regulada pelo direito, que se atenha aos mencionados princípios de subsidiariedade e solidariedade e que esteja firmemente orientada pela realização do bem comum, no respeito às grandes tradições morais e religiosas da humanidade.
O Evangelho nos recorda que não só de pão vive o homem: não só com bens materiais se pode satisfazer a profunda sede do seu coração. O horizonte do homem é, sem dúvida, mais alto e mais vasto; por isso, todo programa de desenvolvimento deve ter presente, junto ao material, o crescimento espiritual da pessoa humana, que está dotada de alma e corpo. Este é o desenvolvimento integral, ao que constantemente se refere a doutrina social da Igreja, desenvolvimento que tem seu critério orientador na força propulsora da “caridade na verdade”.
Queridos irmãos e irmãs, oremos para que também esta encíclica possa ajudar a humanidade a sentir-se uma única família comprometida em realizar um mundo de justiça e paz. Oremos para que os crentes, que trabalham nos setores da economia e da política, advirtam quão importante é a coerência do seu testemunho evangélico no serviço que oferecem à sociedade. Particularmente, convido-vos a rezar pelos chefes de Estado e do governo do G8, que se reúnem nestes dias em L’Aquila. Que desta importante cúpula mundial brotem decisões e orientações úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, especialmente dos mais pobres. Confiamos estas intenções à maternal intercessão de Maria, Mãe da Igreja e da humanidade.
[Tradução: Aline Banchieri.
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]
http://www.zenit.org/article-22099?l=portuguese
Ontem, também foi publicado um importante documento do Papa Bento XVI. O Moto Proprio Ecclesiae Unitatem. Nele o santo padre reafirma a ilicitude das sagrações episcopais realizada por Dom Lefebvre e o estado não canônico e, por tanto, ilícito de qualquer ministério da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Por outro lado, o Papa demonstra o seu espírito de caridade e desejo de unidade através do levantamento das excomunhões e da "fusão" da Comissão Ecclesia Dei com a Congregação para a Doutrina da Fé, uma vez que as negociações com a FSSPX se darão no campo doutrinário.
Ao fim, o Papa Bento XVI solicita a todos nós que rezemos para que dessas negociações possa haver a verdadeira unidade.
Como sou um grande admirador do Papa Bento, tenho certeza que, para ele, as questões doutrinárias serão, realmente, esclarecidas e, a FSSPX poderá retomar o seu caminho na Igreja, tendo compreendido, entre outras coisas, que o Concílio Vaticano II é um grande bem para a Igreja e que a sua interpretação errada é que causou grandes danos à fé.
Rezemos, como nos solicita o santo padre, a Nosso Senhor e a Maria Santíssima, pela plena comunhão entre a Igreja e a FSSPX e, para que dessa comunhão, bons fruto possam ser colhidos neste momento de crise em que vivemos.
Esse documento (em italiano) pode ser encontrado no seguinte link: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20090702_ecclesiae-unitatem_it.html
Ao fim, o Papa Bento XVI solicita a todos nós que rezemos para que dessas negociações possa haver a verdadeira unidade.
Como sou um grande admirador do Papa Bento, tenho certeza que, para ele, as questões doutrinárias serão, realmente, esclarecidas e, a FSSPX poderá retomar o seu caminho na Igreja, tendo compreendido, entre outras coisas, que o Concílio Vaticano II é um grande bem para a Igreja e que a sua interpretação errada é que causou grandes danos à fé.
Rezemos, como nos solicita o santo padre, a Nosso Senhor e a Maria Santíssima, pela plena comunhão entre a Igreja e a FSSPX e, para que dessa comunhão, bons fruto possam ser colhidos neste momento de crise em que vivemos.
Esse documento (em italiano) pode ser encontrado no seguinte link: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20090702_ecclesiae-unitatem_it.html
No site de informações Zenit, saiu um interessante "melhores momentos" da encíclica do Papa Bento XVI Caritas in Veritate... quem estiver sem coragem para ler no computador e está a espera da versão em livro, pode dar um olhada na matéria no seguinte link:
http://www.zenit.org/article-22081?l=portuguese
http://www.zenit.org/article-22081?l=portuguese
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